PASSEATA
Abaixe essa voz!
Erga os braços por amor
Quais são as suas lutas?
Meia dúzia de mulheres
caladas
Atravessadas por labaredas
de fogões
e vaginas em chamas
por debaixo dos seus
vestidos?
-se o vestido vira brasa
morre a mulher
nasce a devassa-.
Abaixe essa arma!
Erga a cabeça por recusa
não por obediência!
Pela liberdade de ser
o que for
ou não for
e ainda assim
ser.
Milhares de mortos cobertos
de branco
escondendo a juventude negra
e pobre
E o conjunto fardado jurando
a bandeira
cantando o hino do progresso
Da economia ensacando corpos
Da sociedade fabricando
alvos
Das migalhas da vida
suplicando
por liberdades fora do
compasso?
Na minha passeata os
inimigos
são convocados
A vida miserável que você
produz
– e que você enxota –
Vira o espelho que te causa
asco.
Por insistir
ainda que cambaleante
ainda que louca
travestida
ainda que prisioneira
bandida
ainda que puta
vagabunda
ainda que drogada
Enquanto seu coturno
destroça minha carne
minha luta segue em
disparada
ainda que pequena
Minha luta não é carne
que se rasga e costura
Sobrevive à tortura
por ser alma:
É postura.
Não está em mim
Não existe ‘Eu’
Acredita no verbo
Agir
Amar
Viver
Abaixe esse fogo!
Na ponta de uma arma
não se encontra a paz:
Nem sexo
Nem Deus
A paz não mata
A paz não manda
A paz se faz
Com as apostas
de nós
Com a indiferenciação
Entre os Outros
e os meus.
- Poema de Patrícia
Peterli-.





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