sábado, 31 de maio de 2014

Entrevista com profissional do Centro de Prevenção e Tratamento de Toxicômanos - CPTT

Falando em saúde mental, as MARIAS hoje vêm apresentar o território das políticas que lidam com o uso de álcool e outras drogas no cenário capixaba. Não diferente do restante do país, a relação com o uso de drogas tem sido tratada cada vez mais no âmbito da segurança ao invés da saúde pública. Com isso, o grande investimento por parte do Estado tem sido em políticas penais que mascaram as várias questões que circundam a venda e o consumo de drogas, ao passo que políticas públicas efetivas no campo da saúde têm menos apostas tanto do poder público, quanto da população, que acaba por clamar por modos reacionários de existência.
Buscando dar visibilidade ao que existe hoje de políticas de saúde que procuram lidar com o uso de drogas na perspectiva do cuidado e não da repressão, as MARIAS, na figura do Benedito de Castro, escolheram um dos serviços da rede de saúde mental do município de Vitória, o Centro de Prevenção e Tratamento de Toxicômanos de Vitória (CPTT), e conversaram com a enfermeira Néia, buscando compreender melhor o perfil do público atendido e como o atendimento é realizado.

Confira a entrevista a seguir, realizada no dia 31 de maio de 2014!

Entrevista CPTT- Centro de prevenção e Tratamento de Toxicômanos

  
1.    Qual o perfil socioeconômico do público que procura tratamento?
A servidora informou que os usuários atendidos são de vários bairros da Grande Vitória. O Centro atende quem procura os serviços de tratamento, inclusive pessoas de outros estados e do interior, mas a grande a maioria dos usuários são de classe econômica mais baixa e de periferia.

2.    Qual a faixa etária dos usuários do serviço?
Acima de 18 anos, mas a grande procura para o tratamento é feito por jovens.

3.    Qual etnia/raça das pessoas buscam tratamento?
O serviço atende diversos tipos de etnia, mas na sua maioria são jovens negros.

4.    Qual escolaridade dos usuários?
O CPTT atende diversos usuários de variadas escolaridades, inclusive de nível superior, mas a grande maioria dos usuários possui baixa escolarização, não tendo ensino fundamental completo.

5.    Qual a duração do tratamento?
A primeira parte do tratamento dura 14 dias (desintoxicação). A 2ª parte que é chamada de atenção diária dura de acordo com o perfil de cada usuário. Atende nos horários das 7:00 às 17:00h - nessa etapa do tratamento são realizadas atividades internas e externas – passeios teatros e várias outras atividades culturais.

6.    Após o término do tratamento qual encaminhamento é feito aos usuários?
Não é feito nenhum encaminhamento após o tratamento (curso profissionalizante, emprego, etc). As pessoas que não possuem família são encaminhadas para abrigos da prefeitura.

7.    Existem casos de reincidência? Qual porcentagem volta a fazer o tratamento?
Existem casos de reincidências. Mas não soube informar a quantidade de pessoas que têm recaída.

8.    O tratamento é mais procurado por pessoas do sexo masculino ou do sexo feminino?
Em sua grande maioria a procura por tratamento é de pessoas do sexo masculino, mas o número de mulheres que procura tratamento tem crescido muito.

9.    Na sua opinião , quais os motivos levam as pessoas a usarem drogas?
Falta de estrutura familiar, brigas em família, influência do parceiro, omissão do Estado em algumas políticas públicas essenciais, por exemplo, saúde, educação e emprego.

10.  E quais os motivos fazem com que elas deixem de usar drogas?
Os motivos são variados. Muitos procuram o tratamento por causa da família, filhos e em busca de dignidade.

11. Quais são as ações de prevenção ao uso de droga que a prefeitura possui?
A prefeitura de Vitória possui palestras nas escolas da rede sobre a prevenção ao uso de álcool e outras drogas.


CPTT
Acolhimento: É feito diariamente, exceto nas manhãs de terça-feira
Local: Rua Álvaro Sarlo, s/n, Ilha de Santa Maria, Vitória
Tefones: (27) 3132-5104 / 3132-5105





sexta-feira, 30 de maio de 2014

Poesia de Maria...

AFIRMAÇÃO
Eu não topo tudo
Eu não assino embaixo
de qualquer folha
Eu não copio qualquer frase
Eu não aceito qualquer vexame.
Eu não sou a modelo da grife
Eu não sou a freira do altar
Eu tenho furos na bunda
Caminhos pelos peitos
Gordura para além do cós
Não aceito morrer
E não aceito matar.

Não sou puta na cama
Nem santa em casa
Sou puta onde quiser
(Santa serei quando achar 
que devo).
O meu corpo
O meu filho
O meu direito de
não ser mãe.



A minha vontade
de abrir as minhas pernas
De desfilar rechonchuda
e respeitada pelas ruas
de uma cidade qualquer.
O inferninho é aqui, sinhozinho
Você honrou
seu filho homem
ao ensinar-lhe a possuir
uma mulher
Com a voz imponente na garganta
e o pau na mão.
Que passe a vida 
a remexer seus ovos
pobre varão!
Mais sou afirmativa
Quando digo
                       Não!
-Patrícia Peterli-
15 de fevereiro de 2013
22h22min

I Seminário Estadual da Saúde Integral da População Negra em Vitória - ES

Vamos acompanhar a implementação das propostas para a saúde negra junto ao Comitê Estadual da Promoção da Equidade!
Seminário debate política integral da saúde da população negra em Vitória/ES
Cuidar da população capixaba com todas as suas especificidades, respeitando as questões ético-sociais, é uma das preocupações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que promove nesta quarta-feira (07) o I Seminário Estadual da Saúde Integral da População Negra, no Centro de Convenções de Vitória. O evento deverá reunir mais de 200 profissionais e gestores da área da saúde e representantes do movimento negro organizado.
O Seminário é realizado em parceria com a Subsecretaria de Movimentos Sociais, que é ligada à Casa Civil do Governo do Estado, e com o Conselho Estadual da Igualdade Racial. 
Segundo o coordenador do Comitê Estadual da Promoção da Equidade, Júlio César de Moraes, o seminário terá o papel de fomentar a política integral da saúde da população negra, debater a questão do racismo institucional, conhecer melhor a política nacional da população negra e ver os avanços e desafios nessa temática.
Para aprofundar o debate participarão da mesa-redonda o coordenador nacional da Política Nacional da Saúde Integral da População Negra, Rui Leandro, do Ministério da Saúde; a professora-doutora Isabel Cruz, da Universidade Federal Fluminense, representando o Núcleo de Estudos sobre Saúde e Etnia Negra da instituição; e o coordenador do Comitê Estadual, que falará sobre os avanços dessa política no Espírito Santo.
Júlio destaca que a Sesa tem se preocupado em promover a articulação entre as diversas áreas técnicas que atuam na promoção da saúde integral da Mulher, do Homem, do Idoso, da Criança e do Adolescente, entre outras para avançar nas ações que contemplem essa população dentro da sua realidade.
Ele observa que é preciso ter “um olhar diferente para questões diferentes” visando tornar mais justo o tratamento dado às pessoas, respeitando sua diversidade social, cultural e histórica, que está relacionada, muitas vezes, a diferenças importantes de condições de vida, oportunidade e eventuais problemas de discriminação e preconceito.
“Dentro da temática da saúde da mulher, por exemplo, é preciso pensar na mulher negra, na indígena, na quilombola, na cigana, na mulher urbana, na mulher rural, isso é buscar equidade no cuidado à saúde”, exemplifica.
 Ele destaca ainda que o Seminário será um importante espaço de conversa para conhecer melhor a política nacional, ouvir os movimentos sociais e definir propostas e diretrizes para planejar ações que contemplem essa população dentro da sua realidade.
Ao final, as propostas serão encaminhadas para o Comitê Estadual da Promoção da Equidade – que é coordenado pela Sesa, mas tem representações das Subsecretarias de Movimentos Sociais e de Direitos Humanos, do Escritório do Distrito Sanitário da Saúde Indígena, seis povos tradicionais (pomeranos, ciganos, indígenas, pescadores artesanais, campo e floresta, comunidades de religiões de matriz africana), movimento negro organizado, LGBT, e população em situação de risco, além de técnicos da Sesa. Formado no ano passado este será o primeiro desafio do Comitê.

Informações à Imprensa:
 Assessoria de Comunicação da Sesa
Dannielly Valory/Kárita Iana/Marcos Bonn/Maria Ângela Siqueira

Fonte:
Elisenda Maria


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Serviços de Saúde Especializados para o Atendimento dos Casos de Violência Contra a Mulher

Os Serviços de Saúde Especializados no Atendimento à Mulheres em Situação de Violência contam com equipes multidisciplinares (psicóloga/os, assistentes sociais, enfermeiras/os e medicas/os) capacitados para atender os casos de violência doméstica e violência sexual. Nos casos de violência sexual, realizam a contracepção de emergência, prevenção das doenças sexualmente transmissíveis (DST) - incluindo o HIV; assim como o acolhimento, orientação e encaminhamento para casos de abortamento legal. Esses serviços fazem parte do Sistema Único de Saúde (SUS), que é universal e presta atendimento a toda população de forma gratuita.

ESPÍRITO SANTO
Nome da entidade:
  Hospital Municipal de Cobilândia (Programa SOS Mulher) - Vila Velha  
Endereço:
  Rua Fluvinópolis, n° 1290 - Bairro: Cobilândia
Cep:
  29111-240
Município:
 Vila Velha 


Telefone:
 (27)3369-7113
Fax:
 (27)3369-7511
E-mail:
  
Site:



Nome da entidade:
  Programa de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (PAVÍVIS) - Vitória  
Endereço:
  Avenida Maruípe, s/n° - Bairro: Maruípe - Complemento: Centro de Ciências da Saúde (UFES)
Cep:
  29043-900
Município:
 Vitória 


Telefone:
 (27)3335-7184
Fax:
 (27)3335-7184
E-mail:
 pavivis@hotmail.com 
Site:


Fonte:https://sistema3.planalto.gov.br/spmu/atendimento/busca.php?uf=ES&cod=12

Elisenda Maria / Patrícia Peterli / Sérgio Adriany / Adriana Bazani / Benedito

domingo, 25 de maio de 2014

Discriminação Racial e Social em Vitória, ES

Domésticas que trabalham em um edifício de um condomínio de luxo na Praia do Canto, bairro nobre de Vitória, foram proibidas de entrar pela porta da frente do prédio. As profissionais eram obrigadas a passar pela garagem do local. A proibição teria partido de uma reunião entre os moradores e a administração do condomínio. As trabalhadoras do local se sentiram humilhadas com a situação.

A denúncia foi protocolizada na tarde desta quinta-feira (27), na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) no Espírito Santo. O órgão tem 72 horas para fazer as investigações preliminares, concretizar a autuação e distribuir o procedimento a um procurador do Trabalho que tomará as medidas cabíveis para investigar o caso e assegurar os interesses dos trabalhadores atingidos.

Alguns moradores do prédio não quiseram gravar entrevista, mas disseram que a regra não tinha o apoio da maioria. A decisão foi derrubada numa reunião, na noite de quarta (26), e a partir desta quinta (27), as profissionais voltaram a passar pela entrada principal do edifício.

A doméstica Benedita Adriano, que trabalha no local, ficou aliviada com o fim da proibição. "Somos todos iguais neste mundo", disse. Segundo a presidente do Sindicato das Empregadas Domésticas do Espírito Santo, Valceni Santos, esse costume deve ser extinguido no Brasil. "O problema é antigo. As pessoas falam em liberdade, falam que o preconceito acabou, mas isso é mentira. Isso é muito mais comum do que as pessoas imaginam", disse.

O procurador Djailson Martins Rocha, do Ministério Público do Trabalho (MPT), informou que casos como este, se não há justificativa convincente, caracterizam discriminação. "No caso do deslocamento de mercadorias ou de estar vestindo roupas de banho, é justificável que seja usado o elevador de serviço, por exemplo", ressaltou. "Qualquer outra limitação ou imposição que não seja baseada numa condição plausível, é ilegal, discriminatória e vai de encontro à Constituição Federal, que diz que não deve existir preconceito por origem, raça, cor, sexo ou quaisquer outras condições sociais", disse.

O procurador destacou que o caso em questão será analisado pelo MPT por ser uma questão coletiva, mas se algum profissional sentir-se discriminado por algum motivo, pode entrar com uma ação trabalhista na Justiça, por danos morais, já que sofreu uma violação da auto-estima e uma situação vexatória que atinge sua condição psicológica.


Fonte

Elisenda Maria

Vítima de violência e discriminação tem atendimento especializado

Samira Gasparini
Atendimento as vítimas de violência doméstica
A Coordenação de Atendimento às Vítimas de Violência e Discriminação (Cavvid) tem como objetivo trabalhar as dimensões das relações violentas tanto com a vítima quanto com o agressor, visando o fortalecimento dos mecanismos psicológicos e sociais para que a pessoa possa enfrentar e superar a situação de violência e/ou discriminação na qual está envolvida.

Tais ações são oferecidas às vítimas de violência doméstica, discriminação racial e por orientação sexual. O serviço da Prefeitura Municipal de Vitória é realizado por intermédio da Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos(Semcid).

A busca pelo atendimento acontece de forma espontânea ou mediante encaminhamento de outros serviços ou instituições. Não é necessário agendamento prévio. O atendimento é prestado de maneira articulada com a rede socioassistencial do município e compreende o acolhimento, acompanhamento social, psicológico, psicossocial e orientação jurídica.

Nos casos de violência doméstica e discriminação racial são atendidos os moradores de Vitória e nos de discriminação por orientação sexual, os de todo o Estado.


Onde fica

Endereço: Avenida Maruípe, 2.544, 1º piso, bloco C, Itararé (Casa do Cidadão)
Telefones: (27) 3382-5464 e 3382-5465
Horário de atendimento: de segunda a sexta-feira, das 7 às 17 horas
Fonte
Elisenda Maria


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Os Movimentos Femininos e a Consciência dos Direitos Sociais



Os movimentos sociais se articulam em rede para garantir os direitos sociais dos indivíduos privados de gozá-los. Estes movimentos podem atuar em âmbito local ou global, dependendo do tamanho do movimento e de quais indivíduos estão abarcados pelas suas reivindicações. As mobilizações realizadas pelos indivíduos visam atingir esferas públicas, criar fóruns, conselhos e conferências nacionais, com o objetivo de influenciar a proposição de políticas públicas que levem em consideração a proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos.

Historicamente, os movimentos sociais são marcados por confrontos de uma minoria racial, classes sociais e/ou gênero discriminados e privados dos seus direitos. Muitos desses movimentos são apresentados abaixo e discutidos por diversos autores que estudam o tema:

1)O Movimento Feminista, que no contexto brasileiro, como exposto por Rangel (2011), foi marcado pelo lançamento das mulheres à posição de editoras e redatoras de seus próprios órgãos de imprensa, demonstrando ousadia e enfrentamento às injustiças sociais; e a luta contra a violência de gênero mais especificamente na cidade de Vitória-ES, exposta por Nader (2009), onde as mulheres capixabas, para conquistarem sua independência, trabalhavam até 15 horas diárias, não ocupavam trabalhos intelectuais, ganhavam menores salários que seus companheiros.

2) O Movimento das Mulheres Negras, exposto por Carneiro (2002), que vem promovendo, dentre outros: o reconhecimento do racismo e da discriminação racial como fatores de produção e reprodução das desigualdades sociais experimentadas pelas mulheres do Brasil; o reconhecimento da dimensão racial que a pobreza tem no Brasil; o reconhecimento da necessidade de políticas específicas para mulheres negras para equalização das oportunidades sociais.

3)O Movimento das Mulheres Indígenas e as conquistas nas discussões em relação a: defesa de seus territórios; denúncias das formas de opressão e exclusão social dos povos indígenas; defesa do meio ambiente e patrimônio indígena; a condição dos indígenas que vivem em centros urbanos.

4)O Movimento de Trabalhadoras Urbanas e o surgimento do movimento operário formado pelas mulheres para reivindicar postos de trabalho equivalentes aos seus companheiros do sexo masculino.

5)O Movimento de Trabalhadoras Rurais e o surgimento de movimentos de imigrantes femininas que reivindicavam seus direitos, melhores condições de trabalho e acesso aos meios de produção, com intuito de combater à exploração exercida pelos fazendeiros rurais.

6)O Movimento de Mulheres Lésbicas, exposto por Beleli (2008), onde a autora apresenta a deturpação da vida de casais homossexuais pelas novelas brasileiras, dando a ideia de que a família que constituem não possui problemas como uma família comum, pois não frequentam clubes GLS e parecem sempre terminar com um par romântico sempre felizes.

7)O Movimento de Mulheres Jovens, exposto por Sanches (2003), e os padrões de beleza que mutilam e massacram as mulheres de hoje, como cirurgias plásticas, dietas absurdas, exercícios físicos extenuantes, e todos os tipos de creme e tratamento para beleza. Ao mesmo tempo que elas precisam apresentar esses padrões que são exigidos por uma sociedade predominantemente machista, devem também exercer as funções de mãe, esposa e dona de casa.

Muitos analistas sociais acreditam que grandes mudanças ocorridas durante a segunda metade do século XX foram consequências dos movimentos feministas ocorridos, como a luta contra a escravidão e a luta pelo direito ao voto. Tais movimentos foram importantes no questionamento de questões vistas, até então, como normais – a divisão sexual do trabalho; diferenças de salários entre homens e mulheres; divisão sexual na esfera política; e abusos em desfavor ao direito das mulheres.

A partir da consciência coletiva surgem os movimentos em prol dos direitos sociais dos cidadãos. As mulheres, em suas “batalhas” por maior liberdade de expressão e igualdade social, vêm ganhando maior legitimação em seus movimentos no cenário nacional e mundial.

REFERÊNCIAS:
RANGEL, Lívia de Azevedo Silveira. O Feminismo no Brasil. 2011. 268f. p. 153-189. Dissertação (Dissertação de Mestrado em História) - Programa de Pós-Graduação em História Social das Relações Políticas, Centro de Ciências Humanas e Naturais, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2011.

NADER, Maria beatriz. Movimento feminista e afirmação da cidadania: a luta conta a violência de gênero.  In: II Congresso Internacional UFES/Université de Paris-Est e XVII Simpósio de História da UFES: CIDADE, COTIDIANO E PODER. Anais..., de 16 a 19 de novembro de 2009.

CARNEIRO, Sueli; SANTOS, Tereza. Mulheres em movimento - Mulher negra. São Paulo, Conselho Estadual da Condição Feminina/Nobel, 1985.

BELELI, Iara. Eles[as] parecem normais”: visibilidade de gays e lésbicas na mídia. In: seminário Das margens aos centros: sexualidades, gêneros e direitos humanos, realizado na Universidade Federal de Goiás. Anais..., de 25 e 27 de setembro de 2008.  

SANCHES, Paloma Pinheiro. Jovens, mulheres e feministas: experiências múltiplas e identidades possíveis. Em Tempo de Histórias, n°. 7, 2003.


Sérgio Adriany

terça-feira, 13 de maio de 2014

As Mulheres e os Estereótipos da Sociedade

Durante muito tempo o papel esperado da mulher pela sociedade foi o da submissão, da recepção de ordens sem questionamentos e reações, em contraponto o papel do homem seria o de ser corajoso diante da vida, um papel de prover e chefe da família. A sociedade criou uma identidade sexual para o homem e uma para a mulher¹.

Dois filmes retratam o papel da mulher em um dos períodos de maior luta para que os direitos femininos fossem assegurados no Brasil.

No filme "Eternamente Pagu", a protagonista por sua personalidade forte e marcante, era uma pessoa que sofria repressões por seus atos, tanto por ser mulher à época em que as mulheres eram privadas de muitos direitos, tanto por fazer protesto e manifestações anti-governistas. 


Filme Eternamente Pagu:
 


No filme "Olga" é retratada a história da comunista Olga Benário, uma das mulheres com maior destaque do movimento comunista brasileiro. Olga foi privada do seu direito de mãe, somente conseguindo ficar com a filha durante o seu período de amamentação, pois era carcerária. Depois de 14 meses de vida, retiraram a guarda da filha de Olga e a concederam a sua avó. 

Em 1938 Olga foi levada para o campo de concentração de Lichtenburg, e em 1939 para Ravensbrück, o único campo feminino. Em fevereiro de 1942, Olga foi executada na câmara de gás com mais de 200 prisioneiros no campo de Bernburg².

 Filme Olga:



Importantes greves operárias nesse período tiveram mulheres como protagonistas. Ainda segundo os autores, as mulheres tiveram destacadas participações no processo eleitoral brasileiro, mesmo sem poderem ser eleitas e até mesmo eleitoras³

Os dois filmes acima expostos relatam uma parte da história brasileira referente à repressão ao regime Comunista que se instaurava no Brasil e em diversos países. Tanto Pagu quanto Olga Benário – as duas protagonistas dos filmes -  sofriam repressões do governo, e por serem mulheres àquela época, as represálias se tornavam mais fortes.

Desde a infância a criança é estimulada a comportar-se adequadamente ao seu sexo, e quando atende a essas expectativas do seu estimulador recebe afeto para que possa repetir novamente aquele comportamento. Se essa expectativa não condiz com as expectativas do estimulador, seu comportamento é repreendido. A masculinidade era entendida como vigor, energia, eficácia e poder nos campos da religião, artes, ciência e crenças².

Com esses comportamentos esperados pela sociedade de cada sexo, o vídeo "Acorda Raimundo" apresenta um enredo curioso com a troca de papeis entre os gêneros. Onde a inversão dos valores comumente aceitos pela sociedade; como as tarefas masculina e feminina, separadas por paradigmas impostos pela própria sociedade se dá de forma que o “feminismo” vira “masculinismo”, e consequentemente todas as características daquele que seria o conceito empregado pelos homens como estereótipo para a liberdade de expressão das mulheres é desvelado.

O vídeo retrata a história de uma típica família brasileira de classe baixa com seus pré-conceitos referentes ao modelo de família brasileira. Os homens vivenciam o que a sociedade comumente chamou de “papel da mulher na vida familiar”. Os homens ficam em casa cuidando dos filhos e das tarefas domésticas enquanto as mulheres saem para trabalhar e ganhar a única fonte de renda daquela instituição familiar.

Vídeo Acorda Raimundo:


REFERÊNCIAS

Buonicore e Garcia (2012)
Sérgio Adriany