sexta-feira, 30 de maio de 2014

Poesia de Maria...

AFIRMAÇÃO
Eu não topo tudo
Eu não assino embaixo
de qualquer folha
Eu não copio qualquer frase
Eu não aceito qualquer vexame.
Eu não sou a modelo da grife
Eu não sou a freira do altar
Eu tenho furos na bunda
Caminhos pelos peitos
Gordura para além do cós
Não aceito morrer
E não aceito matar.

Não sou puta na cama
Nem santa em casa
Sou puta onde quiser
(Santa serei quando achar 
que devo).
O meu corpo
O meu filho
O meu direito de
não ser mãe.



A minha vontade
de abrir as minhas pernas
De desfilar rechonchuda
e respeitada pelas ruas
de uma cidade qualquer.
O inferninho é aqui, sinhozinho
Você honrou
seu filho homem
ao ensinar-lhe a possuir
uma mulher
Com a voz imponente na garganta
e o pau na mão.
Que passe a vida 
a remexer seus ovos
pobre varão!
Mais sou afirmativa
Quando digo
                       Não!
-Patrícia Peterli-
15 de fevereiro de 2013
22h22min

2 comentários:

  1. Que lindo poema de resistência, Patrícia!

    Um abraço,

    Wilka

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    1. Ei Wilka! Obrigada... Que bom que gostou! Escrevi no ano passado, no fervilhar da retomada das discussões acerca do Estatuto do Nascituro no âmbito do Congresso Nacional... que literalmente mexe com o nosso ventre, não é mesmo? Volte mais para tomar um café com as MARIAS! Abraço!

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