quinta-feira, 11 de setembro de 2014

ESTADO E SOCIEDADE

ESTADO E SOCIEDADE


 Constituição do Estado e do conceito de cidadão

Com a Revolução Francesa, o conceito de cidadania foi criado e forjado devido à necessidade da burguesia de se livrar dos impostos que comprometiam seus lucros. Cidadãos eram considerados iguais, mas não com mesmos direitos de bens e renda. Qualquer semelhança com os dias atuais não é mera coincidência, afinal nem todos herdam os meios de produção, entre outros aspectos de exclusão no mercado capitalista.
De 1980 para cá, vivemos um conceito de nova democracia, democracia ampliada, onde os movimentos sociais pressionam o governo em busca de moradia, educação, saúde, saneamento básico e transporte público de qualidade. Bem como o confrontamento de paradigmas à cerca das questões de gênero, raça, etnia e direitos humanos, contra o regime militar autoritário (cf.Weffort,1988), que se fazem ouvir requerendo maior participação popular nas decisões políticas e tendo como instrumentos a cultura e a maior e efetiva participação política.
No Brasil, após o fim do regime militar (...), a Constituição federal; a Constituição Cidadã, vislumbra o exercício da cidadania. A partir daí as políticas sociais aparecem como instrumento do governo, mas com visão de desenvolvimento centrada na economia e privatização dos setores, e não em políticas sociais igualitárias.

O direito como instrumento de transformação social

A evolução da sociedade e do Direito estão intimamente ligados. Com o desenvolvimento da sociedade, o Direito cuidou para criar leis em favor da manutenção do poder nas mãos dos detentores do capital. Na atualidade ainda vemos que o Direito não se dedica à pesquisa sobre políticas públicas, prevalecendo uma formação de advogados reprodutivistas de normas e conceitos que não estão abrangendo as demandas por pesquisa na área social.

A sociedade brasileira se formou em cima do modelo colonial imposto por Portugal, que para manter o poder e domínio sobre sua colônia, introduziu o conceito de Direito à serviço da manutenção da dominação da elite sobre o s demais. Direito  e desenvolvimento da sociedade sempre estiveram ligados. No período colonial, as pessoas não tinham direitos, eram no máximo possíveis beneficiários de acordo com a vontade dos governantes. Na República Velha o governo privilegiou as elites com a promoção de estudos universitários e deixou de lado a educação universal básica. O privilégio às oligarquias veio somar a este quadro de privilégios para as elites dominantes.

No Estado Novo, pressões dos trabalhadores reivindicaram direitos  trabalhistas, e na redemocratização, as ações sociais foram iniciadas devido às pressões do povo com movimentos partidários e populares: de negros, mulheres, juventude, sindicais, de reforma agrária, de retomada  e/ou demarcação de terras indígenas, de combate ao racismo, de direitos trabalhistas entre outras medidas.

Políticas Públicas em Gênero e Raça

Para que se estabeleça um Estado democrático de direito é preciso que o Governo esteja comprometido com o avanço da sociedade. Não somente no sentido econômico, mas  no tocante  a inclusão de todas as pessoas, respeitando e considerando suas diversidades, tanto das minorias (por exemplo indígenas), homossexuais, trans-sexuais e trangêneros, como da maioria pobre excluída; quer sejam os  negros e mestiços ( maioria) ou até mesmo brancos.
Efetivando o desenvolvimento de políticas de inclusão        que busque conhecer as realidades sociais de cada grupo, promovendo a participação da sociedade civil, traduzindo seu programa de governo para a efetivação de políticas públicas que promovam a igualdade e o exercício de cidadania, não apenas para direitos gerais, como o direito de "ir e vir" , mas para a abertura da inclusão da cultura dos povos e democratização dos bens sociais.

Referências

Cidadania, liberdade e participação no processo de autonomização do Brasil
e nos projetos de construção da identidade nacional.

Artigo de Gladys Sabina Ribeiro; Professora do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense

As ações afirmativas e os processos de promoção da igualdade efetiva.
Fernanda Duarte Lopes Lucas da Silva e Joaquim Benedito Barbosa Gomes
Seminário Internacional – As Minorias e o Direito - Série Cadernos do Centro de Estudos Judiciários - CEJ
CARVALHO, José Murilo. Cidadania no Brasil, o longo caminho. 10 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.   
O direito nas políticas públicas. A ser publicado em Eduardo Marques e Carlos Aurélio Pimenta de Faria (eds.) ‘Política Pública como Campo Disciplinar’, São Paulo, Ed. Unesp, no prelo. Diogo R. Coutinho, Professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Departamento de Direito Econômico, Financeiro e Tributário) e pesquisador do CEBRAP - Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. E-mail: diogocoutinho@usp.br

3 Mapeamento e perfil sócio-demográfico dos agressores e  das mulheres que procuram a delegacia especializada em atendimento à mulher - Vitória, ES. 2003 – 2005.
Publicação de Maria Beatriz Nader, Professora do Programa de pós-graduação Mestrado em História Social das Relações Políticas - PPGHIS/UFES. Coordenadora do Laboratório de Estudos de Gênero, Poder e Violência da UFES. marxis@terra.com.br .
http://www.fazendogenero.ufsc.br/9/resources/anais/1278008189_ARQUIVO_TrabalhoprontoparapublicacaoFG9.pdf
Gênero e racismo: múltiplos olhares/Maria Beatriz Nader, (Org.); Universidade Federal do Espírito Santo, Núcleo de Educação Aberta e a Distância. Vitória Edufes, 2014.
Manual de doenças mais importantes, por razões étnicas, na população brasileira afro-descendente / Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2001. Brasília: Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde.
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_etnicas.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_saude_populacao_negra.pdf
Elisenda Maria. Sub-2.

Levantamento dos Casos de Discriminação no Município de Vitória/ES

Levantamento dos Casos de Discriminação no Município de Vitória/ES


Em contato com a Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos de Vitória, obtivemos informações importantes a partir do trabalho realizado pela Coordenação de Atendimento às Vítimas de Violência e Discriminação (CAVVID), que é um serviço cujo objetivo é prestar atendimento especializado e humanizado às vítimas de violência doméstica, discriminação racial e por orientação racial. Ressaltamos que os números apresentados são de 2013, uma vez que os números referentes ao ano de 2014 ainda não foram apurados para efeito de estatística. Eis os dados coletados:











São os desafios apontados pela equipe da CAVVID no atendimento por discriminação racial:
·         Os casos de discriminação racial e por orientação sexual, em sua maioria, desdobram para encaminhamento jurídico com fins de processos por danos morais;
·         As vítimas de discriminação racial não conseguem registrar BO como crime de racismo, e sim, por injúria racial;
·         A equipe não tem como acompanhar esses processos juridicamente;
·         Desconstruir preconceitos com a tropa policial para que a população LGBT e as pessoas que sofrem discriminação racial, possam ser atendidas com respeito em caso de violação de direitos e outros crimes.
- Fala final da Coordenadora da CAVVID:
Por fim, como coordenador de tal setor, registro a mais alta pela pesquisa realizada e, desde já, coloco o serviço à disposição para maiores esclarecimentos e compartilhamento de dados, visando o fortalecimento e o aprimoramento da política voltada para o combate à violência e discriminação.
Lorena Padilha Pereira
Coordenadora do Atendimento às Vítimas de Violência e Discriminação

Pesquisa realizada por Adriana Aparecida Oliveira Bazani
Aluna da Pós Graduação em Políticas Públicas em Gênero e Raça da UFES
11/09/2014








quarta-feira, 10 de setembro de 2014

MOVIMENTOS SOCIAIS E O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO



MOVIMENTOS SOCIAIS E O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

Os movimentos sociais se destacam como importantes mecanismos da participação popular ante às desigualdades sociais , raciais e de gênero. Por isso, alguns reuniões que facilitem a participação da sociedade em debates públicos como: Conselhos de Gestão, Fóruns Sociais e Conselhos de Direito, contribuem para a construção de políticas públicas necessárias ao estabelecimento de um Estado Democrático de Direito.

Um dos movimentos responsáveis pela democracia e igualdade que permitiram a todos os brasileiros elegerem os seus representantes legais foi o movimento das Diretas Já ocorrido entre os anos de 1983 à 1984. Houve mobilização de entidades de classe e sindicatos apoiados por diversas correntes políticas, unidas pelo desejo de eleições diretas para presidente da República no Brasil.

As manifestações populares geraram bastante censura à imprensa e prisões de civis. Porém, o movimento "Diretas Já" foi um importante passo para a Redemocratização do Brasil, o que culminou, anos mais tarde, na realização das eleições diretas para Presidente da República em 1989.

Abaixo podemos ver uma reportagem sobre este importante Movimento em busca de um Estado Democrático de Direito:


 
 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Diretas_J%C3%A1