segunda-feira, 21 de julho de 2014


Direitos das mulheres para um parto humanizado
 

*Respeitar a vontade da mulher em ter acompanhante de sua escolha durante o trabalho de parto e parto;

*Monitorar o bem estar físico e emocional durante todo o processo de atendimento;

*Responder as informações e explicações solicitadas;

*Permitir a mulher que ela caminhe durante o período de dilatação e adote a posição que desejar no momento do nascimento;

*Orientar e oferecer métodos de alívio da dor durante o trabalho de parto, como: massagens, banho morno, e outras técnicas de relaxamento;

*Permitir o contato de pele entre mãe e bebê e o início do aleitamento, imediatamente após o nascimento;

*Ser informada pelos profissionais sobre os procedimentos que serão realizados com ela e o bebê;

*Em relação específica aos serviços: possuir normas de procedimentos e monitorar a evolução do parto pelo partograma, oferecer alojamento conjunto e estimular o aleitamento materno.

*conhecer a identidade do profissional;

*Ser chamada pelo nome.
 

 Fonte: Organização Mundial da Saúde

Adriana A O Bazani

segunda-feira, 14 de julho de 2014

RESPEITO AO PARTO - RESPEITO À MULHER

 





RESPEITO AO PARTO
RESPEITO À MULHER







No dia 26 de junho de 2014, foi realizada na Câmara Municipal de Vitória-ES, uma audiência pública acerca da violência obstétrica e da necessidade de humanização do parto. O evento contou com a presença de parlamentares, especialistas reconhecidos e defensores do chamado “Parto Humanizado”,dentre eles: Vereadores Fabrício Gandini e Neuza de Oliveira; Drª Sônia Lansky, doutora em Saúde Pública; Drª Fabiana Rocio Lacerda, representante da Secretaria Municipal de Saúde; a psicóloga Cristiane Kondo, do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, e o Dr. Ricardo Herbert Jones, conselheiro da Associação Nacional de Doulas.

Durante a realização da audiência alguns depoimentos foram feitos pessoalmente por convidadas que subiram à tribuna e narraram a experiência traumática sofrida durante o nascimento de seus filhos e filhas em estabelecimentos hospitalares. A história comum passa por atos de agressão, verbal e até mesmo física, sofrida por gestantes e praticada por profissionais do serviço de saúde (enfermeiros, médicos, etc.), maus tratos que ocorrem em um momento em que a mulher necessita de todo o amparo para poder trazer à vida seus bebês.

Dentre as narrativas do dia, merece destaque a de Laís, pois, embora narre praticamente as mesmas condições de maus tratos sofridos pela maioria das mulheres atendidas na rede pública de saúde, a mesma denuncia claramente que buscou atendimento médico em hospital do interior (Cachoeiro de Itapemirim), imaginando que poderia obter um tratamento melhor do que nos “verdadeiros açougues” da Grande Vitória, revelando o quanto já se tem naturalizado o precário e ineficiente sistema de saúde nacional, ainda mais quando se pensa especificamente na condição da paciente/mulher desprovida de recursos econômicos. Essa realidade, Infelizmente, em dadas circunstâncias, faz com que tenhamos mais medo do tratamento recebido em hospitais do que propriamente das doenças que possam nos acometer.

Outro depoimento surpreendente foi o do médico e conselheiro da Associação Portuguesa pela Humanização do Parto, obstetra de Porto Alegre Ricardo Hebert Jones, que confessou aos presentes:

Trabalho com nascimento há 32 anos e me lembro envergonhado de uma cena em que fui arrogante com uma mulher da periferia de Porto Alegre. Essa mulher pobre e determinada a não se submeter ao nosso modelo violento de parto foi minha melhor professora. Ela ignorou meus comandos e ousou ter seu filho de cócoras no quarto do hospital, me impedindo de fazer procedimentos desnecessários. Por isso digo que vocês mulheres precisam dizer: “Eu não te autorizo! Tenho meus direitos”.”

Em outubro do ano passado, uma mulher foi submetida a humilhações e a procedimentos não consentidos em uma maternidade particular na Grande Vitória. O Ministério Público Federal, então, instaurou inquérito civil para apurar junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM) o referido fato, bem como a adoção de medidas preventivas e punitivas cabíveis em relação ao problema.

No entanto, no Sistema Único de Saúde não se trata de um único caso, mas sim inúmeras situações aflitivas vivenciadas por mulheres, cuja experiência, de tão traumática, têm feito com que muitas delas prefiram ter seus filhos em casa, sem assistência médica, amparada por familiares ou parteiras e com resultados infinitamente melhores.

Enquanto isso, uma em cada quatro mulheres que deram à luz em hospitais públicos ou privados relatou algum tipo de agressão no parto, perpretada por profissionais de saúde que deveriam acolhê-la e zelar por seu bem-estar e, de acordo com estudo realizado por Janaina Marques de Aguiar, doutora pela Faculdade de Medicina da USP: “Quanto mais jovem, mais escura, mais pobre, maior a violência no parto.”.

Por tudo isso, denunciar os casos de violência obstétrica é muito importante e isso pode ser feito pela internet, na página da Sala de Atendimento ao Cidadão do Ministério Público Federal: http://cidadao.mpf.mp.br/.

E para quem se interessar pelo assunto, vale ainda conferir o trabalho da fotógrafa Carla Raiter, 31, que desde março do ano passado coleta histórias e registra imagens de mulheres que foram vítimas na hora do parto. Com o projeto “1:4 Retratos da Violência Obstétrica”.

Texto de Adriana A O Bazani

Fontes pesquisadas:

Sites:


www.cmv.es.gov.br. – TV Câmara – Câmara Municipal de Vitória, Audiência Pública do dia 26/06/2014.
 
http://seculodiario.com.br/17262/15/mpf-instaura-inquerito-para-apurar-abusos-contra-gestante-em-hospital-1
www.cmv.es.gov.br. – TV Câmara – Câmara Municipal de Vitória, Audiência Pública do dia 26/06/2014.