sexta-feira, 23 de maio de 2014

Os Movimentos Femininos e a Consciência dos Direitos Sociais



Os movimentos sociais se articulam em rede para garantir os direitos sociais dos indivíduos privados de gozá-los. Estes movimentos podem atuar em âmbito local ou global, dependendo do tamanho do movimento e de quais indivíduos estão abarcados pelas suas reivindicações. As mobilizações realizadas pelos indivíduos visam atingir esferas públicas, criar fóruns, conselhos e conferências nacionais, com o objetivo de influenciar a proposição de políticas públicas que levem em consideração a proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos.

Historicamente, os movimentos sociais são marcados por confrontos de uma minoria racial, classes sociais e/ou gênero discriminados e privados dos seus direitos. Muitos desses movimentos são apresentados abaixo e discutidos por diversos autores que estudam o tema:

1)O Movimento Feminista, que no contexto brasileiro, como exposto por Rangel (2011), foi marcado pelo lançamento das mulheres à posição de editoras e redatoras de seus próprios órgãos de imprensa, demonstrando ousadia e enfrentamento às injustiças sociais; e a luta contra a violência de gênero mais especificamente na cidade de Vitória-ES, exposta por Nader (2009), onde as mulheres capixabas, para conquistarem sua independência, trabalhavam até 15 horas diárias, não ocupavam trabalhos intelectuais, ganhavam menores salários que seus companheiros.

2) O Movimento das Mulheres Negras, exposto por Carneiro (2002), que vem promovendo, dentre outros: o reconhecimento do racismo e da discriminação racial como fatores de produção e reprodução das desigualdades sociais experimentadas pelas mulheres do Brasil; o reconhecimento da dimensão racial que a pobreza tem no Brasil; o reconhecimento da necessidade de políticas específicas para mulheres negras para equalização das oportunidades sociais.

3)O Movimento das Mulheres Indígenas e as conquistas nas discussões em relação a: defesa de seus territórios; denúncias das formas de opressão e exclusão social dos povos indígenas; defesa do meio ambiente e patrimônio indígena; a condição dos indígenas que vivem em centros urbanos.

4)O Movimento de Trabalhadoras Urbanas e o surgimento do movimento operário formado pelas mulheres para reivindicar postos de trabalho equivalentes aos seus companheiros do sexo masculino.

5)O Movimento de Trabalhadoras Rurais e o surgimento de movimentos de imigrantes femininas que reivindicavam seus direitos, melhores condições de trabalho e acesso aos meios de produção, com intuito de combater à exploração exercida pelos fazendeiros rurais.

6)O Movimento de Mulheres Lésbicas, exposto por Beleli (2008), onde a autora apresenta a deturpação da vida de casais homossexuais pelas novelas brasileiras, dando a ideia de que a família que constituem não possui problemas como uma família comum, pois não frequentam clubes GLS e parecem sempre terminar com um par romântico sempre felizes.

7)O Movimento de Mulheres Jovens, exposto por Sanches (2003), e os padrões de beleza que mutilam e massacram as mulheres de hoje, como cirurgias plásticas, dietas absurdas, exercícios físicos extenuantes, e todos os tipos de creme e tratamento para beleza. Ao mesmo tempo que elas precisam apresentar esses padrões que são exigidos por uma sociedade predominantemente machista, devem também exercer as funções de mãe, esposa e dona de casa.

Muitos analistas sociais acreditam que grandes mudanças ocorridas durante a segunda metade do século XX foram consequências dos movimentos feministas ocorridos, como a luta contra a escravidão e a luta pelo direito ao voto. Tais movimentos foram importantes no questionamento de questões vistas, até então, como normais – a divisão sexual do trabalho; diferenças de salários entre homens e mulheres; divisão sexual na esfera política; e abusos em desfavor ao direito das mulheres.

A partir da consciência coletiva surgem os movimentos em prol dos direitos sociais dos cidadãos. As mulheres, em suas “batalhas” por maior liberdade de expressão e igualdade social, vêm ganhando maior legitimação em seus movimentos no cenário nacional e mundial.

REFERÊNCIAS:
RANGEL, Lívia de Azevedo Silveira. O Feminismo no Brasil. 2011. 268f. p. 153-189. Dissertação (Dissertação de Mestrado em História) - Programa de Pós-Graduação em História Social das Relações Políticas, Centro de Ciências Humanas e Naturais, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2011.

NADER, Maria beatriz. Movimento feminista e afirmação da cidadania: a luta conta a violência de gênero.  In: II Congresso Internacional UFES/Université de Paris-Est e XVII Simpósio de História da UFES: CIDADE, COTIDIANO E PODER. Anais..., de 16 a 19 de novembro de 2009.

CARNEIRO, Sueli; SANTOS, Tereza. Mulheres em movimento - Mulher negra. São Paulo, Conselho Estadual da Condição Feminina/Nobel, 1985.

BELELI, Iara. Eles[as] parecem normais”: visibilidade de gays e lésbicas na mídia. In: seminário Das margens aos centros: sexualidades, gêneros e direitos humanos, realizado na Universidade Federal de Goiás. Anais..., de 25 e 27 de setembro de 2008.  

SANCHES, Paloma Pinheiro. Jovens, mulheres e feministas: experiências múltiplas e identidades possíveis. Em Tempo de Histórias, n°. 7, 2003.


Sérgio Adriany

Nenhum comentário:

Postar um comentário